sexta-feira, 24 de março de 2017

O que é Distributismo

Artigo de Thomas Stock publicado no site do Expresso Liberdade

Grande parte da História do Ocidente, desde meados do século XIX, foi a história de dois sistemas econômicos adversários. O Manifesto do Partido Comunista de 1848 declarou que “paira um espectro pela Europa”. De fato, paira um espectro não só sobre a Europa, mas sobre todo o mundo. Não se trata só do espectro do Comunismo, mas de sistemas econômicos e sociais rivais, que por várias vezes lançaram a Humanidade em convulsões sociais. Para muitos, estas rivalidades acabaram: o comunismo e o socialismo foram derrotados, logo, só resta ao capitalismo a reinar triunfantemente sobre o mundo. No entanto, não é este o caso. Numa passagem negligenciada da encíclica Centesimus Annus, João Paulo II realça que as escolhas da humanidade não estão limitadas ao capitalismo e ao comunismo. “É inaceitável que a derrota do chamado ‘Socialismo Real’ nos deixe o capitalismo como único modelo de organização econômica” (no. 35). Sendo assim, é obrigação dos católicos olhar com mais atenção para o Distributismo, um sistema econômico defendido por algumas das melhores mentes da Igreja da primeira parte do século XX. Homens como G. K. Chesterton, Hilaire Belloc, pe. Vincent McNabb e muitos outros. Vejamos em que consiste o Distributismo e porque é considerado por muitos cristãos como mais adequado ao pensamento social cristão do que o capitalismo.

Em primeiro lugar, devemos traçar algumas definições dos principais termos que iremos utilizar, especialmente do “capitalismo”. Muito frequentemente esta palavra não é muito bem definida, e cada pessoa lhe dá um significado, bom ou mau, conforme as suas próprias convicções, mas nunca a definindo claramente. Então, o que é o capitalismo? O capitalismo não é a posse privada de propriedade, mesmo que se trate de propriedade produtiva, pois tal tipo de propriedade existe na maior parte do mundo desde tempos muito remotos, enquanto que o aparecimento do capitalismo é normalmente situado na Europa do final da Idade Média. Talvez a melhor maneira de proceder seja escolher a definição de uma autoridade, e depois analisaremos como é que se enquadra com os fatos históricos. Voltemos a encíclica Quadragesimo Anno (1931), do Papa Pio XI, em que o capitalismo é definido, ou caracterizado, como “o sistema econômico em que o trabalho e o capital necessários para a produção são fornecidos por pessoas diferentes” (no. 100). Por outras palavras, no sistema capitalista normalmente trabalha-se para outra pessoa. Alguém, o capitalista, paga a outros, os trabalhadores, para que trabalhem para si, e recebe os lucros do seu empreendimento, isto é, o que sobra depois de pagar o trabalho, as matérias-primas, amortizações, débitos, etc.

Há alguma coisa de errado com o capitalismo, com a separação da posse e do trabalho? Não há nada de errado em ter uma fábrica ou uma quinta e pagar a outros para as trabalharem, desde que lhes pague um salário justo. No entanto, o sistema capitalista é perigoso e insensato. Os seus frutos foram nocivos para a humanidade, e o Sumo Pontífice fez o apelo por mudanças que iriam eliminar, ou pelo menos diminuir, o cerne e o poder do capitalismo.

Deixem-me explicar as afirmações que acabei de fazer. E para o fazer tenho de fazer primeiro um breve desvio para discutir o propósito da atividade econômica. Por que é que Deus deu ao homem a necessidade e a possibilidade de criar e utilizar-se de bens econômicos? A resposta é óbvia: necessitamos desses bens e serviços para levarmos uma vida humana.

A atividade econômica produz bens e serviços para servir toda a humanidade, e qualquer ordenamento econômico deve ser avaliado pela capacidade de preencher este objetivo.

Quando a posse e o trabalho estão separados, tem necessariamente de existir uma classe de homens, os capitalistas, que estão afastados do processo de produção. Os acionistas, por exemplo, não querem saber o que é que a empresa, da qual eles são formalmente os donos, faz ou produz, mas só lhes interessa saber se as ações estão a subir ou quais os dividendos que daí vão retirar. De facto, na bolsa, as ações mudam de mãos milhares de vezes por dia, ou seja, diferentes indivíduos ou entidades, como fundos de pensões, são em parte donos de uma empresa durante alguns minutos ou horas ou dias, e depois vendem-na tornando-se donos de outra entidade qualquer. Naturalmente esta classe de capitalistas passa a encarar o sistema econômico como um mecanismo pelo qual dinheiro, acções, títulos e outros equivalentes podem ser manipulados para enriquecimento pessoal, ao invés de servir a sociedade produzindo bens e serviços. Em resultado disto, têm-se feito fortunas através de takeovers hostis, fusões, encerramento de fábricas, etc., por outras palavras, aproveitam o direito de propriedade privada, não para se envolverem na atividade econômica produtiva, mas para se enriquecerem independentemente dos efeitos nos consumidores e trabalhadores.

Os Papas justificaram a posse privada de bens, mas se analisarmos os motivos e os argumentos por que o fizeram constataremos que a sua lógica está muito longe da capitalista. Examinemos, por exemplo, a famosa passagem da encíclica Rerum Novarum (1891), do Papa Leão XIII.

Os homens trabalham mais e com mais prontidão quando trabalham naquilo que é seu; mais, aprendem a amar o solo que trabalham com as suas mãos, e lhes provê, não apenas comida para comer, mas uma abundância para ele e para os que lhe são queridos (no. 35).

Mas, o que acontece sob o capitalismo? Os homens aprendem a amar os certificados das ações que lhes renderão dinheiro, em resultado do trabalho de outra pessoa? A justificação que os Papas sempre fizeram da propriedade privada está ligada, pelo menos idealmente, à unidade entre a propriedade e o trabalho. Acrescenta Leão XIII: “A lei, portanto, deve favorecer a propriedade privada, e o seu objectivo deve ser tornar o maior número possível em proprietários” (Rerum Novarum, no. 35), e este ensinamento é repetido por Pio XI na Quadragesimo Anno (no. 59-62, 65), por João XXIII em Mater et Magistra (no. 85-89, 91-93, 111-115), e por João Paulo II em Laborem Exercens (no. 14). Se “o maior número possível… se tornar proprietário”, então a separação fatal entre trabalho e posse, será, se não removida, pelo menos o seu âmbito e influência será diminuída. Já não será a característica fundamental do nosso sistema econômico, mesmo que continue a existir.

E isto leva-nos diretamente ao Distributismo. Pois o Distributismo não é mais do que um sistema econômico em que a propriedade privada está bem distribuída, no qual “o maior número possível” é, de fato, proprietário. A melhor exposição do Distributismo pode provavelmente ser encontrada no livro de Hilaire Belloc, The Restoration of Property (1936). Atente-se ao título, O Restabelecimento da Propriedade. Os distributistas argumentaram que no regime capitalista, a propriedade produtiva é prerrogativa só dos ricos e que isto lhes dava um poder e influência sobre a sociedade muito maior do que aquilo a que têm direito. Embora formalmente todos tenham o direito à propriedade privada, na prática ela está restrita aos poucos.

Outra característica do distributismo, que decorre desta, é que numa economia distributista, haverá limites colocados sobre grande parte da propriedade. Antes que nos acusem de que isto parece socialismo, devemos recordar o comentário de Chesterton (em What’s Wrong With the World, cap. 6), de que a instituição propriedade privada não significa o direito ilimitado à propriedade, tal como a instituição casamento não significa o direito a ter mulheres ilimitadas.

Na Idade Média, as corporações profissionais, exemplo perfeito de instituições católicas, frequentemente limitavam a quantidade de propriedade que cada dono/trabalhador podia ter (por exemplo, limitando o número de empregados), precisamente com o interesse de evitar que alguém expandisse demasiadamente o seu negócio levando outros à falência. Isso porque se a propriedade privada tem um objetivo, como Aristóteles e São Tomás diriam, esse objetivo é assegurar que cada homem e a sua família possam levar uma vida digna, servindo a sociedade. Uma vida digna, e não duas ou três. Se o meu negócio me permite sustentar-me a mim e à minha família, então que direito eu tenho de o expandir a ponto de privar outros do meio de sustentarem a si e às suas famílias? Pois os medievais viam aqueles que se dedicavam à mesma atividade, não como rivais ou competidores, mas como irmãos empenhados no importante trabalho de providenciar ao público bens e serviços necessários. E como irmãos uniam-se nas corporações, tinham padres para rezarem pelos seus mortos, apoiavam as viúvas e órfãos, e de modo geral olhavam pelo bem-estar uns dos outros. Quem é que não é capaz de admitir que esta concepção de sistema econômico é mais adequada à fé cristã do que a ética selvagem do capitalismo?

quinta-feira, 23 de março de 2017

O triunfo da má política

O jornalista Diego Emir, o qual considero um dos mais competentes do estado, noticiou recentemente em seu blog que a TV Difusora e a Difusora FM estão em vias de serem vendidas ao deputado federal Weverton Rocha, que juntamente com outros parceiros comerciais estaria negociando com Edison Lobão Filho a compra da emissora. Há algo de podre no reino do Maranhão. Mesmo com a Operação Lava-Jato servindo de alento ao povo, que pede por mais Justiça no país, as práticas dos políticos e empresários continuam as mesmas. A mesma coisa continua também o desprendimento de políticos de negociarem meios de comunicação estratégicos com políticos que supostamente seriam de grupos adversários. Política é política. Negócios são negócios.

O que transparece à população é que todas essas divergências ideológicas de quatro em quatro anos não passam de uma encenação e que, no fundo, cada um dos que se dizem representantes do povo estão lá apenas para defenderem seus próprios interesses. Em 2014, Lobão Filho era o único concorrente na corrida eleitoral contra a ascensão comunista no estado. Dois anos depois, sua emissora prestava o ridículo papel de ser porta-voz do candidato pedetista Edivaldo Holanda, que teve sua campanha coordenada pelo próprio Weverton Rocha.

O parlamentar esquerdista recentemente protagonizou um dos maiores fiascos da política brasileira ao se colocar como autor da emenda que deturpou as "10 medidas contra a corrupção" propostas pelo Ministério Público Federal. A emenda apresentada pelo deputado, na prática, voltava o projeto das 10 medidas contra o próprio Ministério Público e a Justiça. A atitude foi interpretada como retaliação a ameaça representada pelas operações em curso que ameaçam a cúpula do poder.

Mesmo alegando que promotores e juízes devem responder à Justiça como qualquer cidadão, o deputado é dono de uma vasta lista de processos que correm no STF, por conta de sua imunidade parlamentar, entre os quais processos por dano ao erário, improbidade administrativa, formação de quadrilha, falsidade ideológica e peculato. Muitos deles são de autoria do Ministério Público, alvo da retaliação de Weverton no episódio das 10 medidas.

As polêmicas envolvendo essa figura da política maranhense iniciaram-se quando ainda militava no movimento estudantil. Em 2007, quando era secretário de Juventude e Esporte no governo do socialista Jackson Lago, sofreu a denúncia do recebimento de R$4 milhões do Ministério do Trabalho, chefiado por Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, destinados uma ONG fundada uma parente de primeiro grau de Weverton. Em 2011, ele assumiu uma vaga na Câmara dos Deputados como suplente, após a saída de Carlos Brandão. Seis anos depois, é cogitado para ser o novo proprietário de um dos principais veículos de comunicação do estado.

Se há algo de podre no reino da Dinamarca, a história dirá. O que posso dizer é que a nossa tragédia é muito mais simplória que as peças shakespeareanas.


quarta-feira, 22 de março de 2017

Considerações sobre a Operação Turing e Eduardo Guimarães

Duas operações da Polícia Federal realizadas na manhã de ontem tiveram como alvo blogueiros. A primeira, no Maranhão, nomeada Operação Turing, conduziu e prendeu preventivamente vários blogueiros de São Luís, suspeitos de usarem informações que corriam em segredo de Justiça para chantagear investigados e lhes fornecer informações privilegiadas. A segunda operação, em São Paulo, conduziu coercitivamente o blogueiro Eduardo Guimarães que havia antecipado em seu blog a informação de que Lula seria alvo de uma operação policial e, com isso, informou diretamente aos investigados a existência de medidas judiciais que corriam sob sigilo.

Os dois casos ocorridos coincidentemente no mesmo dia são paradigmáticos, pois colocam na mesa algumas questões pouco debatidas no meio jornalístico. Se não pouco debatidas, pelo menos debatidas de maneira inconclusiva. A primeira é a reflexão sobre até onde vai a liberdade de informação. Aristóteles dizia que mesmo que um bem seja idêntico tanto para o indivíduo como para a pólis, é mais correto e perfeito resguardar o bem da  pólis, ou seja, da sociedade. Em outras palavras, quando o direito individual de informar fere o interesse público de manter certas investigações em segredo de justiça, é necessário que se prevaleça o interesse público e o dever da Justiça de manter sob sigilo certas investigações, até porque se tratam de investigações a pessoas que agiram contra a lei. Portanto, é necessário que se penalize a pessoa que transmitiu informações confidenciais, já que ninguém tem o direito publicar o que bem entender para tirar vantagem para si ou para outrem.

São direitos constitucionais a liberdade de informação e de expressão. Correto. Mas em praticamente todos os artigos em que esses direitos são expostos, resguardam-se os casos em que a opinião ou informação publicizadas firam a intimidade, a dignidade e os direitos inerentes de outros cidadãos ou da sociedade e do poder público. A liberdade de informação e de expressão não são absolutas.

A segunda questão é: querer rogar a um militante político panfletário, como no caso do Eduardo Guimarães, o ofício de jornalista e, portanto, as prerrogativas da profissão, é desvalorizar a classe jornalística e colocar o direito a informação e a liberdade de expressão não a serviço da verdade, da justiça ou das regras da democracia, mas em favor de um projeto político. Defender o blogueiro com o argumento de que ele é jornalista é avalizar a decisão do STF que derrubou a exigência do diploma para o exercício da profissão e, o que é ainda mais grave, qualificar qualquer tipo de atividade, inclusive a de propaganda ideológica, como jornalismo.

Não foram poucos os jornalistas alinhados ao petismo ou ao Partido Comunista, do qual Guimarães faz parte, que clamaram pelo direito do blogueiro de guardar o sigilo de sua fonte, no caso, da pessoa que lhe passou uma informação que corria sob segredo de justiça, que ele levou a público. Repito. É contra-senso exigir a valorização da profissão jornalística e ao mesmo tempo defender que qualquer pessoa que escreva em um blog, mesmo que seja um blog de pura propaganda partidária, também seja considerada plenamente um jornalista.

Logo, vê-se que os profissionais e veículos de comunicação que saem em defesa de um militante, atribuindo a ele a posição de "jornalista" e exigindo que seja respeitado o seu direito de sigilo da fonte não estão preocupados com a verdade, com a valorização do jornalismo nem mesmo os parâmetros éticos da profissão. Eles já colocaram a causa comunista e a defesa de um chefe de organização criminosa como Lula acima de tudo isso.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Desmascarando um "feministo"

Dias atrás, o jornalista José Linhares Júnior comentava em seu programa na rádio Rádio Capital a respeito do Dia Internacional da Mulher e do feminismo quando recebeu uma mensagem inesperada do blogueiro Marco Aurélio D`Eça, que, além de xingamentos a Linhares, afirmava que as mulheres não reivindicam por “igualdade” e sim por “equidade”, o que, segundo ele, são coisas diferentes. O jogo de palavras do blogueiro não faz sentido algum, mas essa confusão é comum na cabeça de pessoas que opinam sem propriedade do assunto.

“Igualdade” entre homens e mulheres seria não haver entre os sexos nenhuma diferença quantitativa, qualitativa ou valorativa, em termos de salários, tratamento jurídico ou status social. Isso é obviamente impossível, dadas as diferenças essenciais entre homens e mulheres. “Equidade” seria a busca pelo tratamento justo, dar tanto a homens quanto a mulheres o que é seu por direito, respeitando o princípio da isonomia, que preza pelo tratamento igual a todos os cidadãos. No discurso, tudo parece fazer sentido. Porém, por trás deste jogo de palavras, esconde-se uma realidade um tanto contraditória no que se refere aos direitos femininos.

Embora Karl Marx não tenha desenvolvido muito sobre o tema, o feminismo surgiu enquanto força política, no fim do século XIX,  a partir das bases de sua filosofia. Enquanto o pensador alemão afirmava que as relações na sociedade são ditadas pela luta de classes entre burgueses e proletários, as feministas transferiam esse conflito para a luta entre homens e mulheres. A mulher, portanto, para se voltar contra a dominação masculina deveria despertar em si uma “consciência de classe”. Para elas, numa relação familiar, o homem se põe como um opressor que subjuga a mulher através da força. A mulher deve se libertar disso para lutar por igualdade nas relações sociais, independente de sexo. Uma sociedade sem classes, segundo as feministas, deve ser uma sociedade sem distinções entre os sexos. Muitas delas acreditam ainda que os conceitos de matrimônio e a família são “superestruturas” (para usar um conceito marxista), que prendem a mulher na relação de opressão, e que devem por isso serem superados.

Na prática, a coisa não é bem assim. No início da industrialização, as mulheres ocupavam mais postos de trabalho que os homens, já que a principal atividade econômica que impulsionou o progresso econômico inglês no fim do século XVIII foi a indústria têxtil. O historiador marxista Eric Hobsbawm afirma que nos anos de 1830, os homens ocupavam apenas um quarto dos postos de trabalho disponíveis na indústria, mais da metade dos trabalhadores eram mulheres e o restante dos postos eram ocupados por crianças e adolescentes. Diferentemente do que calculavam as feministas ligadas ao socialismo, o feminismo acabou servindo ao sistema. O filósofo inglês G. K. Chesterton diz que o feminismo trouxe a idéia confusa de que as mulheres são livres quando servem aos seus empregadores, mas são escravas quando trabalham em seu lar.

A própria lógica do capital fez com que a suposta diferença cultural entre homens e mulheres se diluísse aos poucos, já que era proveitoso que mulheres também contribuíssem para a produção com sua mão-de-obra e também se tornassem consumidoras. Quem perdeu com tudo isso foi a estrutura familiar, que com o passar do tempo passou a ser um elemento secundário na vida das pessoas. A criação de filhos passou a ser concebida a partir do ponto de vista dos custos recorrentes para o seu sustento e dos benefícios econômicos que eles poderiam trazer.

No Brasil, não faz sentido falar de igualdade ou equidade entre homens e mulheres, já que as mulheres têm dezenas de direitos a mais que os homens. Somente direitos trabalhistas, são mais de dez. Entre eles um que se destaca é o que impõe que, embora a mulher, estatisticamente, viva mais tempo que o homem, ela tenha o direito de se aposentar com menos tempo de serviço. Em prol da “equidade” defendida por Marco D’Eça, muitos direitos oferecidos às mulheres, as desfavorecem competitivamente no mercado de trabalho, já que alguns empregadores, ao avaliarem a diferença de custos de se empregar uma mulher, acabam optando por empregar um homem. Isso seria justo?

Em alguns casos, mulheres têm privilégios em processos contra homens, inclusive nos que se referem à guarda dos filhos em caso de divórcio. Crimes cometidos contra mulheres também sofrem penas mais graves, a partir de uma lei aprovada por Dilma Rousseff em 2015.


Portanto, esse argumento da equidade defendido pelo egrégio comentarista político e supostamente defendido pelas mulheres e movimentos feministas não passa de ideologia. Quando os discursos são postos à luz dos fatos, vemos que há muito mais que se avaliar para que se preserve de fato a verdade e a justiça.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Por um dia sem feminismo

Como já era de se esperar, o Dia Internacional da Mulher foi marcado pelo show de horrores dos protestos de grupos feministas, que aproveitaram a data para reivindicar por mais "direitos" para as mulheres. A data, que deveria ser utilizada para exaltar as virtudes femininas e as conquistas das mulheres no Brasil e no mundo, acaba virando, com ampla repercussão da mídia, palanque para as mais indecorosas reivindicações. Desde as trivialidades políticas do momento, até a luta contra o "machismo", contra a família, contra a religião cristã e a favor do aborto. Essas manifestações tornam mais clara a minha convicção de que a crise que o mundo vive, em especial o Brasil, é de ordem não só moral, como também espiritual e estética.

Manifestação no Centro de São Luís-MA
É primordial, quando se levanta certas questões, a precisão na definição dos termos. O "machismo" denunciado por certas manifestações feministas geralmente não se trata de nenhuma exploração institucionalizada das mulheres ou casos de violência explícita, mas de casos pontuais - que devem ser combatidos, logicamente, mas - que não devem ser o foco da questão. Por isso, a palavra "machismo" vem sendo cada vez mais desgastada, até o ponto de sua exaustiva utilização levar a sua nulidade. Quando uma coisa é tudo, ela passa necessariamente a não ser nada.

O "machismo" denunciado pelas por esses grupos, como o da manifestação que aconteceu no Rio, ganha contornos meramente simbólicos. Para elas, a simples manifestação do homem de sua masculinidade seria uma expressão do seu machismo. Elas não escondem o autoritarismo de seu discurso quando defendem que o homem não deve ter sequer o direito de ser homem. Essa mentalidade autoritária é apenas um dos sintomas da degradação desses grupos, que acham muito mais importante falar contra o governo Temer e defender o assassinato de crianças do que exaltar as virtudes da mulher, como a de ser fonte de Vida e Esperança. Também não lidam com os verdadeiros problemas enfrentados pelas mulheres hoje, como violência generalizada, desemprego, gravidez precoce, dissolução da estrutura familiar, drogas, entre muitos outros graves problemas.

No final das contas, esses grupos acabam por se demonstrarem meros soldados numa guerra ideológica que serve a todos os fins políticos possíveis, mas passam longe de defender os reais interesses das mulheres.

terça-feira, 7 de março de 2017

PSOL e a Cultura da Morte

O Partido Socialismo e Liberdade - PSOL protocolou hoje uma ação no STF que defende que a criminalização do aborto no Brasil viola a dignidade e a cidadania das mulheres. Sim, isso mesmo: para eles, proibir o aborto viola direitos das mulheres. A ação trata-se de uma "Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental". Os preceitos fundamentais descumpridos pelo Código Penal brasileiro, que criminaliza o aborto, seriam o da cidadania, dignidade, igualdade, liberdade e, pasmem, o direito à vida. A ação é assinada pela ex-deputada Luciana Genro, por Luciana Boiteux, professora do Departamento de Direito da UFRJ e por Gabriela Rondon e Sinara Gumieri, advogadas e pesquisadoras da Anis – Instituto de Bioética.

É incrível a capacidade de certos setores da esquerda de retorcerem a linguagem e própria lógica para defenderem as mais desumanas teses. Para as vestais da morte do PSOL, trata-se de um direito da mulher decidir sobre a vida de outro ser humano, que está sendo gerado em seu ventre. A ação não impõe nenhuma restrição a prática do aborto. Afirma apenas que o infanticídio deve ser feito nos 3 primeiros meses de gestação, independente de qual seja a motivação que leve a mulher a assassinar seu filho.

Não há como não perceber a áurea satânica dessa ideologia, mas este tipo de pensamento tem se alastrado em diversos meios, através da mídia e da academia. Não há nenhum argumento filosófico ou científico sério que justifique que o ser gerado no ventre materno não é uma vida. Os defensores da cultura da morte baseiam-se apenas em crendices - digo com todas as letras, religiosa - para defender que uma vida vale menos que a "dignidade" de outra.

A religião dos ideólogos do PSOL é a religião da morte. São pessoas profundamente ignorantes, que não nutrem nenhum valor pela vida e pela dignidade humana. Pessoas obscurantistas, que querem levar o Brasil para a Idade das Trevas, onde, como em outros países, milhares de crianças são, com o incentivo do governo, descartadas como lixo.

Flávio Dino é Comunista?

A aproximação das eleições estaduais tem acirrado alguns discursos dentro da política maranhense. Recentemente, para fazer críticas a Flávio Dino, o senador Roberto Rocha parafraseou uma citação do diplomata José Osvaldo de Meira Penna, que diz: “Os marxistas inteligentes são patifes. Os marxistas honestos são burros. E os inteligentes e honestos nunca são marxistas”. Alguns comentaristas de política local reproduziram a frase sem contextualizá-la e outros, mais alinhados ao governador, satirizaram-na afirmando que o “comunismo” já foi superado há décadas e que Flávio Dino não poderia ser considerado um comunista. Mas isso faz sentido? Dino é mesmo comunista?

A resposta mais óbvia é sim. Ele está em um partido comunista e se diz um. Mas para compreendermos isso com precisão, é necessário que se faça uma reflexão mais profunda sobre o assunto. Ao longo da história, o comunismo sofreu por diversas transformações e reinventou-se à medida que se modificaram as circunstâncias políticas. Dizer que hoje não pode ser considerado um comunista alguém que não prega abertamente imediata apropriação dos meios de produção e o fim da classe burguesa é ignorar a sucessão de mudanças ocorridas dentro da própria classe revolucionária.

Apesar de não pregar o mesmo discurso de 2 séculos atrás, a ideologia socialista ainda preserva alguns fundamentos de outros tempos. O primeiro é o pensamento dialético. A narrativa comunista se sustenta do conflito. Se para Lênin, a ditadura do proletariado é a guerra mais severa e implacável da nova classe contra um inimigo mais poderoso, a burguesia, para Dino, a luta implacável a ser travada é contra um outro perigoso inimigo, no seu caso, o “sarneysmo”.

A dicotomia feita em torno de Sarney sempre foi uma arma discursiva forte. Os comunistas sempre alimentaram e fantasiaram essa narrativa de contraposição com os antigos oligarcas para se beneficiarem com o voto da população descontente com os antigos governos, principalmente a classe média. É o discurso do “nós contra eles”, que na prática, não apresenta muitas distinções.

A centralização das decisões, o favorecimento do partido, o aumento do estamento burocrático, aumento da dívida pública, a penalização da classe empresarial com aumento de impostos, tudo isso é prática recorrente em governos anti-liberais que tem se repetido no governo Dino.

A perseguição externa e interna, até entre os próprios aliados, também é um método usado desde as primeiras revoluções comunistas da Europa do século XIX, e se tornaram recorrentes no século XX, o mais conhecido foi o Grande Expurgo de Stalin, onde ele, para se manter hegemonicamente no poder, eliminou mais de 130 dirigentes do Partido Comunista da URSS na década de 1930. No sistema democrático, o “expurgo” se dá através de perseguição política e da retaliação. Alguns membros de partidos aliados do governo sentem na pele essa prática e já denunciam isso.