domingo, 8 de janeiro de 2017

Educação sexual

Recentemente, em um desses demorados debates virtuais, um professor de filosofia do meu círculo de amizades propôs que a solução para as mazelas sociais que a juventude vive hoje seria mais informação: conteúdo sobre educação sexual sendo ministrado nas escolas, recomenda ele, de maneira séria e sem moralismos. Uma simplória falácia.

Nunca se falou tanto sobre sexo como hoje em dia. De maneira séria ou de maneira descontraída, tudo é dito sem a mínima preocupação com a sensibilidade dos mais pudicos. Desde campanhas em televisão aberta, revistas, sites até conteúdo didático que já é distribuído nas escolas. Fala-se sobre tudo. Para se notar a marca da erotização na nossa juventude, basta acompanhar o que elas andam compartilhando nas redes sociais.

Sexo é o tema principal de boa parte do entretenimento dados aos jovens hoje. Lembro-me do programa “Altas Horas” da Rede Globo, onde a participação de uma sexóloga é um dos quadros fixos há anos. As intervenções do público, das mais sérias às mais indecorosas, quase sempre viralizam na internet para outros milhares outros de expectadores. Informação é o que não falta. O que falta é justamente aquilo que o professor rejeita: a moral.

O que seria uma educação sexual “séria e sem moralismos” dada a adolescentes? Descrições anatômicas, fisiologia, uso de preservativos e contraceptivos, conscientização sobre doenças sexualmente transmissíveis? Nada que eles já não saibam. Pior, esse tipo de conteúdo só tem incentivado ainda mais problemas.

O que deve ser feito é o inverso disso. A solução será um retorno as bases morais: educação moral e até mesmo uma educação religiosa séria. Os adolescentes precisam internalizar o significado do sexo, do matrimônio, da castidade, da responsabilidade consigo e com o próximo e até mesmo o verdadeiro sentido do Amor.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O moralismo da modernidade

Não há nada mais moralista do que os defensores incondicionais das liberdades modernas. Não há nada mais intolerante do que os que saem por aí a bradar aos sete ventos por mais “liberdade” e “tolerância”. A verdadeira batalha dos pseudodefensores das modernas liberdades não é contra o suposto moralismo, o preconceito ou o obscurantismo que eles denunciam, mas contra a moral sobre a qual foi erigida a nossa civilização. O que se pretende com isso não é derrubar tabus, mas se estabelecer novos, que negligenciam todos os valores que nos constituíram enquanto civilização, para a fundação de uma nova. A sociedade é feita de tabus, pois sem restrições não há ordem. E, em nome dessa nova moralidade, são intransigentes e extremamente preconceituosos.

A modernidade fundou uma espécie de nova religião secular, opressora e intolerante, baseada em dogmas bastante peculiares. Entre eles estão o secularismo, o indiferentismo religioso, a liberdade de consciência, o racionalismo e o materialismo. Por-se contra esses dogmas é incorrer em grave "heresia". Por não poderem considerar o próprio Cristo um heresiarca, deturpam-no de todas as maneiras e se voltam com toda força da calúnia e difamação contra sua representação máxima da Terra: a Igreja e sua doutrina.

Um dos métodos difamatórios mais frequentes é a acusação de que “valores religiosos” são preconceituosos e obscurantistas. É quando vêem, por exemplo, uma pessoa dizer que sexo fora do casamento é errado, que o moralismo dessa patrulha aflora ferozmente. De imediato, é feita uma varredura na vida pregressa do enunciador da "blasfêmia" para bem logo se alegar que seu enunciado só é válido se ele próprio nunca tiver cometido um só pecado na vida. Caso contrário, será tido como um fanático hipócrita. O Cristianismo condena o pecado para salvar o pecador. O moralismo da modernidade condena o pecador para exaltar o pecado.

A doutrina cristã não se põe contra as liberalidades defendidas por essa nova religião secular por ser “moralista”, mas por saber, através de sua experiência milenar acumulada, que elas simplesmente não funcionam. Não é surpreendente que algumas vertentes do movimento feminista começaram a rejeitar o uso de anticoncepcionais. Perceberam que, além das graves consequências fisiológicas, por esses medicamentos tornarem o sexo uma prática sem consequências, já que é impedida a possibilidade de procriação, eles subjugam as mulheres. Segundo as feministas, isso é usado pelos homens para tornar as mulheres objetos sexuais descartáveis. Estão de parabéns pela conclusão, mas a Igreja já alerta sobre isso há décadas.

O Cristianismo inserido na História representa a diminuição da influência da antiga cultura pagã e superação da antiga aliança judaica, a qual foi universalizada. Ao contrário do que julga a preconceituosa visão da modernidade, a moral cristã não se sustenta por um conjunto de regras normativas, como infantilmente pensam alguns ou como era outrora. A vida moral se sustenta por três princípios basilares: a Fé em Cristo, a Esperança na salvação trazida por Cristo e a correspondência ao Amor de Deus, que nos deu Cristo, seu filho único, para celebrar conosco a aliança eterna na cruz. Cristo é o centro da vida moral cristã.

A prática da Igreja, tal qual é a de seu fundador, não é condenar nem discriminar quem comete o erro, mas acolher quem peca e lhe mostrar um novo caminho. A reconciliação é a sacramentação da misericórdia. As Escrituras e a própria História nos provam isso. No ano de 1198, o papa Inocêncio III emitiu um decreto dando indulgência plenária ao fiel que tomasse uma prostituta como esposa. O objetivo era tirar a mulher de uma situação em que ela precisa vender seu corpo para se sustentar e dar a ela uma vida melhor, dentro da instituição familiar.

Os próceres dessa nova moralidade têm a família como um de seus principais alvos. Por isso, para eles, dizer que seria melhor para uma prostituta casar-se é o cúmulo do “preconceito” contra a “liberdade” da mulher de vender seu corpo como um objeto comercializável. É inacreditável.

O moralismo dessa nova religião secular é intransigente em tirar a família e a castidade do centro da opção moral e substituí-los pela intocável liberdade. Tira-se a cruz de Cristo e coloca-se no altar da nova era a deusa Artêmis. O modernismo pode ser vulgarmente considerado isso: o retorno ao antigo paganismo.