sexta-feira, 31 de março de 2017

A ditadura porra-louca do CCH de Francisco Sousa

Dia 31 de março marca o início do regime militar no Brasil. A contra-revolução de 1964. Não obstante essa data ser considerada por muitos o início de uma era de cerceamento da liberdades no país, mais de meio século depois, vemos mais uma vez casos de censura e autoritarismo sendo praticados por servidores públicos. Na tarde de ontem, o diretor do Centro de Ciências Humanas da UFMA Francisco de Jesus Silva de Sousa proibiu a apresentação de uma palestra com uma temática anti-marxista. O tema da palestra era "Os contumazes idólatras do fracasso: porque o marxismo, embora desastroso, ainda é sedutor?". Segundo os organizadores do evento, o Grupo de Estudos Liberais Bem-TeVis, o motivo principal alegado pelo diretor do CHH/UFMA para a proibição foi que ele não gostava do palestrante.

É óbvio que o diretor de um centro de universidade federal detém o poder de conceder ou não as instalações físicas do prédio que administra, mas quando impede que um evento acadêmico aconteça, ele deve ter um bom motivo para isso, e os critérios que devem embasar sua decisão são critérios que dizem respeito estritamente a instituição que representa, não exclusivamente a suas convicções pessoais e gostos.

Francisco de Jesus Silva Sousa é professor do departamento de Psicologia, no qual já ministrou disciplinas de "Psicologia Social" e "Prática Profissional e Ética". Foi empossado como diretor do CCH/UFMA em abril do ano passado. Em agosto - alguns devem se lembrar, pois um rapaz morreu nesse evento - ocorreu no centro que administra, com sua permissão ou omissão, um evento chamado I Encontro da Juventude Porra-Louca. O encontro era uma retaliação ao I Encontro da Juventude Conservadora da UFMA, que ocorria na mesma data, no auditório central da universidade. Em sua programação, o evento autodenominado "porra-louca" teve apresentações artísticas com nudez, apologia a drogas, sexo livre, entre outras coisas. O tema era "Conservadorismo de Cu é Rola: se joga pintosa".


Embora soe caricata, a mensagem transmitida pelo evento porra-louca é nitidamente uma mensagem de ódio e autoritarismo. Se conservadorismo de cu é rola, podemos considerar que Cristianismo de cu é rola, Tradição de cu é rola e defesa de valores de cu é rola, e nós, porra-loucas, não permitimos nada disso aqui. É esse tipo de "evento científico" que o diretor Francisco de Jesus Silva Sousa aprova nas instalações de seu centro enquanto veta uma palestra de crítica ã mentalidade revolucionária marxista.

Boa parcela dos estudantes da UFMA não discute mais idéias, não lida mais com o contraditório, ofendem-se com argumentos contrários, rechaçam aquilo que nega o seu modo de ver o mundo. Trocaram conhecimento por ideologia. Argumentos, por opiniões. Pesquisa, por militância. Isso é grave, pois compromete a carreira acadêmica dessas pessoas, alienando-as apenas à ação política e à revolução cultural. São rios de dinheiro público investidos ali todos os anos, para ao fim realizarem um evento que afirma que a postura política das famílias, que pagam seus impostos e sustentam as universidades, e boa parte da população brasileira, que é conservadora, é cu e rola.

Na Idade Média, um dos métodos escolásticos de aprendizagem era o disputatio. O professor medieval apresentava aos alunos um problema, depois apresentava uma tese para resolvê-lo, posteriormente apresentava proposições que contraditavam a tese, depois algumas que a confirmavam. Após a exposição, fazia-se a análise das premissas de todos os argumentos favoráveis e contrários, para a partir da análise de todas as alternativas se tirar uma conclusão. Nas universidades medievais havia espaço para o debate de conhecimento, no Centro de Ciências Humanas da UFMA, não. Lá só há espaço para a militância tosca, chula, histérica e porra-louca.

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