quarta-feira, 19 de abril de 2017

Aculturação e inculturação: evangelização do índio brasileiro

A repulsa à evangelização em aldeias indígenas, defendida atualmente por vários pensadores da academia brasileira, tem origem em teorias sociológicas e antropológicas modernas, as quais trabalham o tema da "aculturação". Acredita-se que índio deve manter intacta sua cultura primitiva, sem que haja interferência de culturas externas. Isso, obviamente, não acontece de fato, pois o índios dos dias atuais já não conseguem se manter indiferentes à influência da economia de mercado. Nem a seus benefícios nem a seus vícios. 

Essa mentalidade de impedir que os índios sejam evangelizados vai totalmente de encontro com a própria Doutrina da Igreja, que sempre promoveu a evangelização dos gentios e condenou o indiferentismo religioso. Indiferentismo é um dos grandes males da modernidade. É a crença de que qualquer religião leva a salvação, desde que a pessoa tenha um comportamento reto. É um grande mal, pois nega as bases da nossa civilização e nossa origem lusitana católica.

Um dos grandes ícones históricos da evangelização indígena, antes da expulsão dos jesuítas do Brasil no século XVIII, é o padre José de Anchieta, santo da Igreja. Ele veio em missão jesuítica no ano de 1553 para trabalhar a evangelização dos índios. É pioneiro. Foi o autor da primeira gramática Tupi-Guarani. Seu  trabalho foi primordial tanto na missão catequética da Igreja quanto na herança histórica brasileira, pois os índios não praticavam a língua escrita. Sem isso, a língua nativa já estaria perdida.

Porém, há de se distinguir o termo "aculturação" de "inculturação".Os textos e traduções ao tupi-guarani de São José de Anchieta, destinados a catequese, tinham grandes traços de inculturação. Isso era necessário para tornar mais inteligíveis certos conceitos cristãos aos povos indígenas brasileiros. Para isso, ele tinha que adentrar no imaginário indígena, inclusive pegando de empréstimo termos da cosmologia do nativo.Tudo em prol da salvação de suas almas.

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