domingo, 9 de abril de 2017

A paz de Cristo e o terror do ISIS

Domingo de Ramos é a data litúrgica que celebra a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, onde foi recebido pelo povo com ramos de palmeira, símbolo de vitória. Na Sagrada Escritura, Cristo entra na cidade montado num jumento, que era considerado na cultura hebraica como um animal da paz. Ao contrário do cavalo, um animal de guerra. Infelizmente, esta data tão cara para cristãos de todo mundo foi, mais uma vez, marcada pela guerra contra Cristo. O Estado Islâmico operou hoje duas explosões na porta de igrejas cristãs ortodoxas no Egito. Na cidade de Tanta, ao norte de Cairo, capital do Egito, as explosões ocorreram na porta de uma igreja e em uma delegacia. Na Alexandria, a explosão ocorreu na porta da igreja de São Marcos, onde se encontrava o patriarca ortodoxo Theodoro II. Ao todo, foram 36 mortos.
"Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta. Ele suprimirá os carros de guerra na terra de Efraim, e os cavalos de Jerusalém. O arco de guerra será quebrado. Ele proclamará a paz entre as nações, seu império estender-se-á de um mar ao outro, desde o rio até as extremidades da terra."  
Zacarias 9, 9-10
O mundo prega hoje uma falsa tolerância a todas as religiões e uma paz artificial. A tolerância só é verdadeira quando paira sobre ela uma verdade. Não há tolerância sem que haja, acima de tudo, um bem maior que a sustente.

A primeira Carta Encíclica do papa Pio XI foi a "Ubi Arcano Dei Consilio: sobre a Paz de Cristo no Reino de Cristo". O propósito do documento, lançado em 1922, logo depois da I Guerra Mundial, foi fazer com que os cristãos refletissem sobre o tema da paz. Nela, o papa transcreve trechos bastante pertinentes das palavras de Jeremias, em que, inspirado por Deus, o profeta adverte aos hebreus que mesmo esperando a felicidade só encontraram tristeza e esperando a paz só encontraram o terror, porque não estavam buscando aquele que é a felicidade e a paz última, o próprio Deus.

Pio XI enumera várias motivos para a falta de paz do mundo. Ele descreve, entre outros, a luta de classes, a qual considera uma "úlcera moral" instigada por perversas ideologias, a crise espiritual no próprio clero, o afastamento de Deus da Educação e das Famílias, o nacionalismo imoderado e a exacerbação dos vícios entre os governos, entre eles, a vaidade e a ambição, disfarçadas "sob o véu do bem público ou do patriotismo".

"É necessário, em primeiro lugar, que reine a paz nos espíritos", adverte o papa, que, com razão, afirma não haver possibilidade de verdadeira paz quando ela é imposta artificialmente por fatores externos. A verdadeira paz deve ser cultivada em primeiro lugar nos espíritos. Ela só pode ser encontrada quando é sustentada por uma verdade, e só Cristo é capaz de fornecer essa verdade, tanto aos povos quanto aos corações. Só haverá verdadeira paz quando Cristo, conforme simboliza os ramos de palmeira, triunfar sobre o mundo.

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