terça-feira, 4 de abril de 2017

José Mayer e o mito do bom selvagem

Em tom de brincadeira, cheguei a dizer nas redes sociais que os esquerdistas deveriam considerar o ator José Mayer, acusado de assédio, uma vítima da "cultura machista", já que frequentemente eles defendem que traficantes e outros criminosos são vítimas da desigualdade social brasileira. Ou seja, a culpa é das circunstâncias. Entretanto, para minha ingrata surpresa, foi exatamente esse o argumento usado pelo ator em sua retratação pública. Em carta aberta, José Mayer definiu-se como um "fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas, invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas". O que ele tentou fazer com esse argumento foi transferir a culpa de seu ato, que é somente sua, para toda uma geração, atribuindo sua atitude ao machismo impregnado na sociedade. José Mayer é um hipócrita. Um covarde.

Os relatos feitos pela figurinista Susllem Tonani não dão conta somente de piadas ou brincadeiras. José Mayer não a assediou. Aquilo foi um verdadeiro abuso sexual. Passar a mão nos órgãos genitais de uma mulher e lhe falar indecências vai muito além de uma piada de mau gosto. O que ele merece é cadeia, não direito de resposta.

Como bom petista que é, ele soube usar bem o argumento rousseauniano do "bom selvagem". Na lógica torpe de José Mayer, todo homem nasce puro, e é a sociedade ou a "geração" que o transforma num escroto. Essa é a base de praticamente todas as ideologias políticas modernas.

Essa tese é reforçada, por exemplo, por muitas correntes do feminismo que acreditam que ao se combater o "machismo", combate-se também a violência contra a mulher. Ela também é a base da crença de que a imigração em massa de muçulmanos para a Europa pode ser uma forma de eliminar o terrorismo, pois o contato com uma sociedade mais "evoluída" faria com que eles abrissem mão do seu fundamentalismo. Porém, os fatos não confirmam os argumentos.

Diferentemente do que pensam essas ideologias, a doutrina cristã ensina que todos nós tendemos ao mal, porque o homem já nasce manchado pelo pecado. Abandonar o mal e seguir o caminho do bem é antes de tudo um longo processo. O homem tem o livre-arbítrio para escolher o caminho do bem ou do mal. Nutrir as virtudes ou alimentar os vícios e a degradação moral é uma questão de escolha.

Outra diferença de uma atitude cristã verdadeira para a de José Mayer é que sempre que erramos e pedimos perdão, repetimos diante de Deus que erramos por "minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa".

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