quarta-feira, 12 de abril de 2017

O que está por trás da acusação contra Flávio Dino


Deltran Dallagnol, um dos procuradores da Lava-Jato, declarou que em 3 anos de operação, nenhum dos delatores mentiu sobre informações dadas em juízo durante as delações. Alguns omitiram fatos, mas não mentiram sobre o teor de seus depoimentos.

Um dos delatores da Odebretch foi o ex-diretor da companhia José de Carvalho Filho. Em depoimentos recentes, o ex-executivo trouxe várias informações sobre diversos processos, entre elas, uma que se refere a campanha de Dilma Rousseff em 2014, que comprometem diretamente o atual ministro-chefe da Casa Civil Eliseu Padilha, do PMDB.

Na recente lista de denúncias divulgada pelo ministro do STF Edson Fachin, José Filho relata um episódio em que teria doado ao governador do Maranhão Flávio Dino R$400 mil não contabilizados, para a sua campanha em 2010. O delator afirmou que a ajuda foi solicitada pelo próprio Flávio Dino, quando se reuniam para tratar do desarquivamento de um projeto de lei que beneficiaria a Odebrecht.

Flávio Dino negou as acusações feitas contra ele afirmando que não votou nem deu parecer no projeto que é acusado de ter beneficiado em troca de R$400 mil. Apesar da acusação do ex-executivo não ser exatamente essa. Entre 2007 e 2010, Dino foi vice-líder de um bloco que reunia mais de 5 partidos da Câmara, os quais aparecem como maioria dos autores do projeto 2.279/2007, o qual a Odebrecht tinha interesse. A lista dos autores foi divulgada pelo próprio governador em seu Twitter. Flávio Dino não era autor do projeto nem foi essa a acusação. O que a empreiteira queria era o seu desarquivamento.

O projeto estava parado desde 2011 e foi finalmente desarquivado em 2015, a partir de um requerimento apresentado pelo deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA)

Em sua defesa, Flávio Dino também publicou no Twitter uma declaração da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara que atesta que o ex-deputado não deu qualquer parecer em relação ao projeto. A data da consulta é 17 de março de 2017, quase um mês antes do anúncio do teor das acusações. A outra coincidência é que a certidão é datada exatamente no dia do aniversário de 3 anos da Operação Lava-Jato.

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